Foto: Flavia Grimm, fevereiro 2019.

Acervo Milton Santos no Instituto de Estudos Brasileiros

(IEB – USP)

Jaime Tadeu Oliva

Flavia Grimm

Arquivo IEB – USP

O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo, fundado em 1962 por Sérgio Buarque de Holanda, é um dos institutos especializados da USP que tem como desafio fundador a reflexão sobre o Brasil a partir da articulação interdisciplinar das diferentes áreas das humanidades. Os Estudos Brasileiros no IEB apoiam-se, antes de tudo, no seu fabuloso acervo, salvaguardado em seu Arquivo, sua Biblioteca e sua Coleção da Artes Visuais, constituído ao longo de 60 anos de sua história.

Fonte: https://www.ieb.usp.br/video-institucional (acesso em 01 maio 2021), prédio do Instituto de Estudos Brasileiros e da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP)

Além de diversas coleções, seu acervo conta com os fundos pessoais de artistas como Mário de Andrade, Camargo Guarnieri, Anita Malfatti, Graciliano Ramos, João Guimarães Rosa, e de grandes intelectuais como Caio Prado Jr., Gilda de Mello e Souza, Antonio Candido de Mello e Souza, Fernando de Azevedo, Celso Furtado, Waldisa Russio, Ernani Silva Bruno, Paul Singer entre tantos outros. Destacam-se também fundos e coleções de geógrafos como Pierre Monbeig, Alberto Lamego e Manuel Correia de Andrade.

Fonte: Fundo Milton Santos | Arquivo – IEB (Milton Santos em homenagem a Manuel Correia de Andrade na Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 1999)

Em 2009, veio se juntar a esse rico patrimônio, o acervo de Milton Santos doado ao IEB por sua esposa a Sra. Marie-Hélène Tiercelin dos Santos. O acervo Milton Santos é composto por sua biblioteca pessoal, por um arquivo de documentos e por objetos que dialogam com sua carreira. Trata-se de um acervo que apresenta grande complexidade, seja por seu volume considerável, seja por seu conteúdo hermético, que representa o sofisticado pensamento miltoniano. Ele abriga documentos acumulados pelo geógrafo ao longo de toda sua vida, desde os anos vividos na Bahia, durante a década de 1940 até o ano de 1964, no exílio, entre 1965 e 1977, vivendo entre África, América do Norte e Central e Europa, e após seu retorno definitivo ao Brasil, em junho de 1977, até seu falecimento em junho de 2001. Estimado em mais de 60 mil documentos, pelo Serviço de Arquivo do IEB, esse é atualmente o maior arquivo pessoal depositado no Instituto.

 

Uma característica importante do Fundo Milton Santos é ser predominantemente em suporte papel, com textos manuscritos, datilografados (digitados) e impressos, notas de leitura, esquemas, cópias de artigos científicos, cópias de entrevistas concedidas, matérias de jornal, material estatístico e cartográfico, relatórios de pesquisa e de missões governamentais, transcrição de aulas, de palestras e de conferências e uma farta correspondência pessoal.

Fonte: Fundo Milton Santos | Arquivo – IEB (carta de Josué de Castro para Milton Santos, em 28 dez. 1954)

Dentre os documentos em suporte papel, encontra-se praticamente a totalidade de sua produção teórica, elaborada desde meados da década de 1940 até 2001, tanto na versão final, como diversos manuscritos e documentos datilografados que testemunham e revelam o processo de criação de suas obras. Na medida do possível, no acondicionamento desse material no IEB, foi respeitado o método de classificação dos documentos que Milton Santos empregava, já que isso elucida bastante suas preocupações em cada momento histórico e indica como suas elaborações foram evoluindo.

 

Também foram localizadas em seu arquivo pessoal fotografias de diferentes fases da vida do geógrafo baiano, que foram tratadas e digitalizadas. Muitas dessas imagens são desconhecidas do público, como a foto de Milton Santos com Bernard Kayser, quando recebeu seu primeiro título de Doutor Honoris Causa, pela Université de Toulouse – Le Mirail, na França em 1980.

Fonte: Fundo Milton Santos | Arquivo – IEB (Milton Santos e Bernard Kayser, Toulouse, 1980)

Por fim, destaca-se a existência de um incrível acervo sonoro e audiovisual (fitas de videocassete VHS, fitas magnéticas K7, CD’s e DVD’s) com palestras, conferências, participação em debates e em eventos científicos, aulas de pós-graduação (pós-1998). Nem é preciso dizer o valor desses registros orais de Milton Santos, pois nessas circunstâncias o pensamento do autor veicula-se com grande expressividade, visto as suas virtudes de grande orador e as condições próprias das aulas nas quais o pensamento está em situação de interação.

 

Todo esse material, ao chegar ao IEB, foi higienizado, desmetalizado e, quando necessário, encaminhado para o Laboratório de Conservação e Restauro. Posteriormente, os documentos foram protegidos com material neutro, para melhor preservação, e acondicionados em caixas específicas e armários, a salvo da luz e da umidade. Além desses cuidados, colocou-se em andamento o processo de descrição documental e inserção de informações no banco de dados do IEB, disponível ao público por meio do seu Catálogo Eletrônico, algo de suma importância para orientar a atividade da pesquisa.